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26 set

Publico em nosso blog uma das respostas a um irmão que expressou dúvidas quanto a biblicidade da decisão tomada pela Igreja Presbiteriana do Brasil quanto a questão das chamadas “danças litúrgicas”. Guardamos a identidade de quem nos apresentou suas dúvidas, mas crendo que a resposta serve para muitos que tem as mesmas dúvidas.

Estimado irmão

A graça seja com o irmão

Recebi sua correspondência anexada ao e-mail. Sua manifestação preocupada, porém, gentil e fraterna, certamente revelam traços de seu coração crente e comprometido com o Senhor e a Sua Palavra, que para nós é a “única regra de fé e de prática”.

Como o irmão sabe, sirvo à Igreja Presbiteriana do Brasil, também no papel de Secretário Executivo do SC. Cumpre a esta secretaria comunicar todas as decisões do SC, ou de sua Comissão Executiva, a quem elas se dirigem. Foi por isto, que tendo sido tomada uma decisão que atingia todas as igrejas locais, enviei aos pastores e presbíteros a correspondência, transcrevendo a resolução tomada na última reunião da Comissão Executiva, que ocorreu em março deste ano.

A decisão é seqüência de várias outras, que versam sobre o mesmo tema, a saber, as questões litúrgicas vividas mais intensamente em nossos dias. Os problemas de que trata a resolução não eram sequer alvo de atenção há vinte anos, visto que eles sequer existiam. Em toda a história da Igreja Presbiteriana do Brasil, a não ser muito recentemente, jamais foi registrado que houvesse grupos coreográficos, danças chamadas litúrgicas, ou quaisquer manifestações de apelo corporal. Isto vem ocorrendo mais recentemente.

Algumas decisões anteriormente tomadas vinham em termos de “recomendação” e, imaginava-se, que uma recomendação de um concílio superior não precisava ser acatada. Nossa denominação sempre entendeu que uma recomendação é uma maneira diplomática, gentil e pastoral de se dar uma ordem, que precisa ser obedecida. Foi por esta razão que o termo “recomendação” foi deixado de ser utilizado para se usar o termo “determina”. É claro que, se porventura, esta determinação fere as Sagradas Escrituras, cada um de nós tem o dever espiritual de desrespeitá-la e jamais acatá-la. Por isto a citação que o irmão faz de textos bíblicos dão ao irmão, inicialmente, o aparente direito de ficar com a Bíblia e não com a decisão de sua Igreja.
É necessário, no entanto, examinar alguns pontos iniciais, para depois nos firmarmos nos textos bíblicos que o estimado irmão arrola.
Primeiramente a sua afirmação: “Procurei e não encontrei na BÍBLIA que desacon-se-lha-se (sic) ou proíba dançar para DEUS” (As duas ênfases pertencem ao irmão).

Vejamos, o princípio interpretativo das Escrituras que nós os presbiterianos adotamos é este: “O que não é explicitamente permitido pelas Escrituras, é proibido”. São os luteranos e os católicos romanos que aplicam outro princípio interpretativo aplicam outro princípio interpretativo a saber: “O que não é proibido, é permitido”. Portanto, o princípio que o irmão afirma como seu fundamento não se aplica.
No entanto, o amado irmão cita diversos textos das Escrituras, como se encontrasse neles fundamento para esta prática que na vida da Igreja Presbiteriana é recente. Vamos a estes textos, examinando-os mais de perto, com a Bíblia aberta, como se recomenda a um discípulo bereano:
II Samuel 6.14 a 16 – Diz este texto:

“Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava cingido de uma estola sacerdotal de linho. Assim Davi, com todo o Israel, fez subir a arca do Senhor, com júbilo e ao som de trombetas. Ao entrar a arca do Senhor na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.”

O verso 17 e 18 acrescenta:

“Introduziram a arca do Senhor e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. Tendo Davi trazido holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em o nome do Senhor dos Exércitos. E repartiu a todo o povo e a toda multidão de Israel, tanto homens como mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e passas. Então, se retirou todo o povo, cada um para sua casa.” …; e este trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. Tendo Davi trazido holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em o nome do Senhor dos Exércitos. E repartiu a todo o povo e a toda multidão de Israel, tanto homens como mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e passas. Então, se retirou todo o povo, cada um para sua casa.”

“…ia, com harpas, com saltérios, com tamboris, com pandeiros e com címbalos”.

O que está acontecendo ali? Foram vitoriosos numa batalha e estão se alegrando porque Deus lhes concedeu a vitória. Nada, absolutamente nada, ocorre no tabernáculo, onde o culto é prescrito por Deus. Nem no tabernáculo e nem mesmo no templo, jamais se ouve que tivesse ocorrido danças. Na verdade, o culto no Antigo Testamento, no templo, era extremamente meticuloso e cheio de regulamentações. Por exemplo, somente os 280 sacerdotes cantores podiam cantar, os sacerdotes podiam pisar o átrio, somente o sumo-sacerdote podia adentrar no santo dos santos. Os homens judeus ficavam no átrio afastado, as mulheres mais afastadas ainda, os gentios ficavam atrás da parede de separação. O culto no AT era prescrito com rigor. Danças no tabernáculo ou no templo? Jamais. Portanto, querer usar um texto do AT como norteador do culto no templo, teremos que ser ainda mais restritos do que a permissividade imaginada nos nossos dias.

Veja, o texto de II Samuel 6 descreve algo de que eu também participaria com toda a exuberância. Vamos imaginar que o Exército Brasileiro voltasse de uma guerra justa e voltasse vitorioso. Eu dançaria e pularia de alegria ao som das marchas e das bandas musicais. Foi isto o que ocorreu. Louvaria a Deus com gritos, pela vitória de minha pátria. Dançaria de gratidão a Deus.
Seu outro texto é o dos Salmos. O quinto livro dos Salmos, o último Salmo do quinto livro. Salmo 150, versículo 4, onde encontramos:
“Louvai-o com adufes e danças…”

O irmão haverá de observar que este louvor é o louvor universal, visto que o salmista em sua doxologia final afirma: “Todo ser que respira louve ao Senhor”. Bem, que “todo ser” é este? É todo o que respira. Vacas, peixes com suas guelras, pássaros, até mesmo árvores, visto que respiram. Eu sei que uma vaca respira e, se respira, louva a Deus, contudo eu não trago uma vaca para dentro do templo.

Na verdade, o louvor universal é descrito nos Salmos, quando se afirma que as corças parindo na encosta das montanhas, os leõezinhos que passam fome, as folhas que batem palmas, os ventos procelosos, os vagalhões do mar, os terremotos, tudo na natureza diz: “glória!” e manifesta o poder incontrolável de Deus. Foi tendo este entendimento, interpretando os textos desta maneira, e vendo esta novidade que se foi instalando recentemente em nossa denominação, muito mais sob a influência do pentecostalismo e o neo-carismatismo, que os concílios gerais de nossa IPB decidem orientar pastoralmente nossa amada igreja.

Mas o irmão cita outros textos, vamos a eles:
Jeremias 31.4,13

Este, como vários outros textos do AT, descrevem as danças que ocorriam nas épocas das colheitas, das cessações de calamidades, etc. A dança, em si, é uma expressão legítima da arte, tal como a pintura, o malabarismo, artes circenses, como cuspir fogo, etc. O texto de Jeremias descreve profeticamente a volta do cativeiro da Babilônia, anos terríveis de escravidão e sofrimento. Na volta, Jeremias profetiza, vai haver muita dança.

Eu que sou totalmente desajeitado para a dança, sem dúvida, dançaria, pularia, manifestaria alegria intensa se estivesse voltando de qualquer cativeiro. Mas este texto, mais uma vez, está sendo utilizado pelo irmão fora do seu contexto. Não descreve, em absoluto, a ordem do culto comunitário no templo, em adoração a Deus. No templo, Deus prescreve o que Ele quer.

Lamentações 5.15
Que trata dos sofrimentos do cerco, logo após a queda do reino de Judá diante dos Babilônicos, em 586 a.C., quando muito se lamentou. Antes eles dançavam e as danças se converteram em lamentações. As danças são expressões legítimas, como é legítimo vestir-se de roupas de banho para irmos à praia. Mas, eu sei que o irmão não vai vestido desta forma ao templo para o culto comunitário. Cada coisa no seu devido lugar e no seu devido tempo.

O texto de Mateus 11.17
“Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes.”

Estes dizeres de Jesus se referem àquelas crianças que, quando não havia mercado na praça, se juntavam para brincar, mas não havia espírito de cooperação na brincadeira. Isto não tem nada a ver com o culto que prestamos a Deus, meu irmão. Este é o perigo que muitos estão correndo hoje, de tomar textos fora dos seus contextos e tentar provar seus pontos de vista pessoais. Não é assim que devemos tratar as Escrituras. São os pentecostais de hoje que abrem a Bíblia ao léu e fazem com que o texto diga qualquer coisa que lhes interessa.
Lucas 7.32 é repetição de Mateus 11.7. Veja o texto todo e diga-me se a interpretação que proponho ao irmão não confere com o sentido do texto.

“A que, pois, comparareis os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes? São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: “Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes.”

O irmão cita então I Samuel 18.6. Veja cuidadosamente o texto e me diga se ele se refere a qualquer culto ocorrido no templo ou no tabernáculo.

“Sucedeu, porém, que, vindo Saul e seu exército, e voltando também Davi de ferir os filisteus, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, cantando e dançando, com tambores, com júbilo e com instrumentos de música.”

O verso 17 do texto continua:

“As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares.”

Irmão querido, preste bem atenção, o amado já ouviu algum cântico de louvor a Deus com esta letra? Sua igreja canta “O pastor da igreja ‘Assembléia dos Amalequitas’ conquistou milhares de almas, porém o pastor de nossa igreja conquistou dez milhares de almas para nossa denominação!”? Notou que aqui não há nenhuma adoração dirigida a Deus? O texto que o irmão usa, está sendo usado fora do contexto. Aqui está sendo descrita a alegria de mulheres pelas vitórias obtidas por Davi. E o irmão certamente observou o exagero destas mulheres – dez milhares? – 10 mil vitórias de Davi? Davi guerreou muito, ele era homem de sangue, por isto não lhe foi permitido construir o templo, mas ele não era tão sanguinário assim.

Quanto aos “tambores”, creio que eles são permitidos. Nunca houve qualquer decisão a respeito do assunto. Eu poderia falar com o irmão sobre os tambores, mas o farei oportunamente.

Evidentemente, eu entendo o drama do amado irmão. Também tenho filhos e muitas vezes sou pressionado por eles. Por esta razão devemos dar respostas a respeito das razões e das convicções que temos. Se não temos convicções, qualquer adolescente que bambolear na nossa frente terá muito mais argumentos do que nós. Tenho conversado com uma quantidade significativa de jovens e adolescentes e grande parte deles se sentem convencidos quando tratamos a Palavra de Deus com seriedade. Sua filha precisa desta orientação segura e eu creio firmemente que o irmão, levando a sério a Palavra de Deus, poderá dá-la.

Paulo afirma que existem coisas que têm aparência de sabedoria, tal como esta onda de dança que foi introduzida recentemente em nossas igrejas, via apóstolo Estevão Hernandes e sua esposa e “bispa” Sonia Hernandes, e outros que tais, são estes que estão ditando a moda. Estas coisas passam a focalizar a nossa atenção para o meneio do corpo e Paulo fala a respeito do “culto de si mesmo”… e diz que tudo isto não tem qualquer valor contra a sensualidade.

O irmão já tem uma filha, portanto já não é tão novo assim, e mesmo que eu não saiba a sua idade, pergunto-lhe: “O irmão conheceu qualquer movimento de dança litúrgica há 40 anos?” Leia a história de nossa igreja e da igreja evangélica no mundo e certamente não encontrará esta prática. Será que os nossos antepassados estavam errados e só agora estamos descobrindo a bênção da dança no templo, no culto a Deus? Se estivermos certos, eles estavam errados. Se estivermos errados, gerações e gerações de crentes, antes de nós, estão deixando de nos orientar no conhecimento da Palavra de Deus.
Eu respondi ao irmão com sinceridade e com a Bíblia aberta.
Seu pastor e conselho de sua igreja juraram lealdade à Bíblia e afirmaram que os documentos confessionais de nossa igreja seriam acatados, visto que eles, depois de os conhecerem, entenderam e disseram que são estes documentos fiéis às Sagradas Escrituras. A decisão da CE-SC-IPB de março, que o irmão questiona, está perfeitamente calcada nas Sagradas Escrituras e no entendimento solene que nossa Confissão de Fé tem do culto que prestamos a Deus.

Receba meu abraço sincero e fraterno, registrando que estou aberto a qualquer outra consideração sobre este ou outro assunto de seu agrado.
Seu irmão e conservo em Cristo
Ludgero Morais – SE-SC-IPB

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10 Comentários

Publicado por em 26 setembro, 2007 em Sem categoria

 

10 Respostas para “Publicação

  1. Sérgio Rocha de Oliveira

    25 janeiro, 2008 at 1:09 pm

    Rev. Ludgero, sou a terceira geração de presbiterianos, 30 anos de IPB e quero congratular-me com o irmão pela pastoral acima escrita. Nós presbiterianos todos os dias somos tentados a abrir mão de nossos princípios para termos um crescimento numérico. Graças a Deus que ainda existam líderes em nosso meio que estão a pelear para manter a pureza do evangelho, combatendo o bom combate no intuito de manter a biblia como unica regra e pratica de fé.
    Continue, certo que a sua recompensa está guardada nas regiões celestiais.

    Um abraço fraterno!!

    Sérgio Rocha de Oliveira
    IPB de Guaíra – Paraná

     
  2. wanderson ferreira lopes

    9 fevereiro, 2008 at 12:06 pm

    Concordo com a resposta acima e aproveito para fazer um acréscimo, se o senhor me permitir. Além das danças serem “fora dos templos” e para se alegrar por livramentos e não especificamente para louvor a Deus, temos que atentar também para as culturas. Os israelitas sempre dançaram em suas festas mas AQUI NO BRASIL, temos que ter um cuidado todo especial, pois não podemos ser motivo de tropeço, uma vez que as danças são praticadas pelos incrédulos em suas manifestações culturais que são, em sua quase totalidade, pagãs. E mais uma coisa: Jesus quando libertava, por exemplo, uma prostituta, Ele não se fazia um cafetão nem se deitava com ela para se aproximar e depois falar do plano da salvação. Dou este exemplo pois algumas pessoas dizem que, para nos aproximar das pessoas, temos que ser como elas. Se assim for, teremos que nos tornar traficantes para falarmos de Deus para estes que estão presos ao mundo das drogas e crimes? Creio que não, pois o mundo precisa que sejamos LUZ. Eles querem ver algo diferente. As danças dentro da igreja apenas escandalizam o mundo e fazem apenas aqueles que querem viver dupla personalidade se aproximarem da igreja. Devemos ser “radicais” mas com coerência. Não podem simplesmente impor algo porque não concordamos ou não entendemos. Que Deus nos ajude a todos e que a IPB possa se manter firme na Palavra. Na paz de Cristo!

     
  3. Livia

    4 maio, 2008 at 11:30 am

    Reverendo,
    Agradeço pela explicação tão cuidadosa sobre um assunto sobre o qual eu estava bastante confusa. Sendo membra de uma igreja presbiteriana que recentemente aboliu as “danças litúrgicas” em respeito à determinação mencionada, faltava-me esse tipo de explicação que foi dada aqui para que eu entendesse o motivo da mudança. No entanto, ainda tenho algumas dúvidas, e gostaria muito que elas fossem esclarecidas, por gentileza.. não apenas por uma questão de saber se me alinho à doutrina da minha comunidade, mas até mesmo para sanar dúvidas que surgiram na minha fé, após a leitura desse texto.
    1- Foi ensinado que as referências à dança feitas no antigo testamento nunca mencionavam dança no templo. No entanto Jesus não disse que hoje o templo somos nós? Sendo assim, porque haveria essa diferença: podemos dançar ao nos alegrar por sair de um cativeiro, mas não podemos dançar dentro do espaço reservado ao culto na igreja?
    2- A respeito do Salmo 149, me parece que o v. 3: “Louvem-lhe o nome com danças, cantem-lhe louvores com adufe e harpa”, não diz respeito ao louvor que até as vacas praticam, pq apenas o homem consegue dançar e louvar, e a referência fala expressamente sobre usar essas práticas, tanto a dança como canto, para “louvar ao nome do Senhor”, não é? Se for necessário anos de estudo teológico para interpretar corretamente esse texto, então não adianta nada eu ler minha bíblia em casa.. preciso de um intermediador, um sacerdote, pra chegar ao conhecimento de Deus.
    3-“Tudo que nao é expressamente permitido é proibido”. Estamos debaixo da lei ainda? Se existem proibições, porque Jesus disse que agora somos livres? Eu pensava que Jesus havia vindo cumprir a lei para que pudéssemos viver a liberdade que ele conquistou para nós. Devo então agora interpretar tudo sobre o qual as escrituras se omitem como uma grande lista de proibições? É proibido ver televisão, ir ao cinema, dirigir automóvel, viajar de avião, navegar na internet, manter um blog, etc.? E essas coisas não devem ser feitas porque os “antigos” não tinham essas práticas?
    Sou apenas uma jovem, não tenho qualquer conhecimento teológico, e tenho em comum com o sr. o fato de que sou completamente desajeitada para dançar. Mas se essa determinaçao da IPB estiver falando isso mesmo que entendi, então de fato estou enfrentando uma crise de fé e precisarei rever seriamente se essa denominação tem a Bíblia como unica regra de fé e prática, e se não está na hora de orar por uma nova reforma na Igreja do Senhor.

    Abraço fraternal

    Confiando no poder de Jesus para guardar sua Igreja até sua volta,

    Livia

     
  4. André Medeiros

    4 maio, 2008 at 3:08 pm

    Olá irmãos da igreja de Cristo, sou um mero jovem cristão sem estudo teológico e que procura apenas seguir a Cristo com naturalidade e sinceridade. Faço parte da Oitava Igreja Presbiteriana BH, aquela que está sendo alvo de muitas discussões sobre esse assunto.

    Quero saudar o Rev. Ludgero, reconhecendo a sua parte no Corpo de Cristo. Já participei da 1ª Igreja Presbiteriana de BH, e pelo breve contato que tive com o senhor, creio que as suas intenções foram apenas no sentido de defender a santidade e pureza do Corpo do qual fazemos parte.

    Mas preciso manifestar que estou confuso com os argumentos expostos, como também estou sinceramente inconformado com as decisões tomadas pelo tal “Supremo Concílio”, que eu francamente nem sabia que existia.

    Vou começar o meu ponto de vista com a seguinte pergunta: será mesmo que estamos (nós IPB) perfeitamente fundamentados nas Escrituras?

    E outra pergunta é adequada: o que acontece com a unidade do Corpo de Cristo quando apontamos outras denominações, a saber, Renascer em Cristo, Lagoinha, e correntes neopentecostais como grupos fora da vontade de Deus no aspecto litúrgico?

    “É claro que, se porventura, esta determinação fere as Sagradas Escrituras, cada um de nós tem o dever espiritual de desrespeitá-la e jamais acatá-la.”
    Então me coloco no dever, mencionado pelo Reverendo, de “desrespeitar e não acatar a decisão do SC” pelas observações bíblicas que farei a seguir.

    Jesus não estava nem aí para as tradições humanas. O nosso Cabeça era alvo dos líderes religiosos justamente pela conduta “liberal” que ele tinha. Marcos 7 demonstra isso com uma clareza inegável, contendo a parte: “Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”. Claro que não estou dizendo que agora devemos ignorar qualquer coisa ensinada pelos nossos pais e avós, pois o próprio Paulo do NT mostra alguns princípios que precisamos lembrar e guardar para sempre. No entanto, se a tradição humana vai contra a vontade de Deus, deve ser desrespeitada.

    Afunilando essa observação para o nosso assunto, quando apontamos outras denominações e práticas como erradas, não somente criamos uma cisão no Corpo de Cristo, mas também nos colocamos no papel de julgar a atitude dos outros, conforme bem citou o nosso Senhor: “Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.” Lucas 6:42
    Quando olhamos desconfiadamente para outros irmãos ou nos distanciamos deles colocando uma cerca denominacional ao nosso redor, estamos pecando tanto quanto estivéssemos dançando a dança mais sensual existente, ainda que as igrejas tenham defeitos sérios que merecem atenção e reforma. O mais cômodo é nos distanciar e criar uma facção dos “certinhos”, mas não é o mais bíblico. Jesus jantava com pecadores (com a intenção de amá-los), ele não defendia as recomendações minuciosas dos líderes religiosos judaicos, tal como lavar as mãos antes da refeição.
    Nesse aspecto, a determinação do SC fere as Sagradas Escrituras, pois gera sentimento de contenda, fatia o Corpo de Cristo em pedaços, e ilustra a hipocrisia de querer “tirar o cisco do olho do próximo”.

    Mas a maior observação bíblica, totalmente inegável mesmo no nosso contexto moderno, é que o templo do Senhor somos nós. No novo testamento, a presença do Senhor Jesus Cristo não está confinada dentro de quatro paredes. A maior expressão do nascimento do cristianismo foi justamente o rasgar do véu do Santo dos Santos! Portanto não existe a distinção neotestamentária de reunião cristã dentro ou fora de algum templo específico. Se pode dançar fora, pode dançar dentro! O que conta são as pessoas, essas sim constituem a igreja de Cristo.

    Apesar de existir, eu confesso, um abuso mundano se expressando de várias formas dentro do Corpo de Cristo, eu não acho que é esse o caso de algumas danças “litúrgicas” citadas nesse blog. Espiritualmente, eu entendo que a dança na igreja deve ser uma forma de expressar a presença de Cristo (assim como o falar em línguas), e não um recurso para melhorar o “show” evangélico. Ela deve ser empregada como o primeiro, e não como o segundo. Ambos existem hoje em dia.

    Vou lembrar o que foi escrito em Marcos 10:42-43:
    “Jesus os chamou e disse: ‘Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importante exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos.”

    Mateus 23:8-11 completa com o seguinte:
    “Mas vocês não devem ser chamados mestres; um só é o Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus. Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo.”

    Claras observações do nosso Cabeça dizem que devemos ser extremamente humildes e mutuamente sujeitos um ao outro. Apenas o termo “Supremo Concílio” já me deixa indignado, pois lembro que nosso Senhor disse que ninguém deve ser chefe, ninguém deve se considerar SUPERIOR ao outro. Eu sou tão importante espiritualmente quanto qualquer outro reverendo letrado, mas isso não significa que eu sou superior, significa que somos todos inferiores, submissos, miseráveis, e dependentes da graça de Cristo. Eu devo obedecer uma exortação bíblica da liderança da igreja tanto quanto um pastor deve obedecer uma exortação bíblica vinda de um irmão.

    A exortação é algo muito sério, e a própria bíblia ensina como fazer isso. Devemos procurar discrição, e manter uma humildade séria e reverente.

    Eu não danço, em lugar nenhum, porque não sou bom nisso. Mas conheço pessoalmente cada uma das dançarinas dos principais grupos de dança da minha igreja. Sei o nome de cada uma delas, sei a personalidade e conheço o dom espiritual de cada uma delas. São as pessoas mais crentes que eu já conheci na minha vida, e contribuiram em muito para eu revisar minha vida espiritual com o Criador. Digo isso diante do nosso Cabeça, que sabe se eu estou dizendo ou não a verdade. São pessoas extremamente sedentas pelo conhecimento e pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, simplesmente irrepreensíveis. Isto é, não merecem a repreensão sobre a dança, a qual foram submetidas, pois eu acredito que dançam para Cristo, mesmo que seja diante de uma multidão. Aliás, quanto à sensualidade, elas mantêm a discrição quanto ao vestir, e observam a reverência que a bíblia prescreve.

    A determinação do SC novamente fere as Sagradas Escrituras, pois se considera “superior” aos demais irmãos, e não considera a pluralidade das formas de manifestação da presença de Cristo, portanto afunilando a forma de adoração ao Senhor a uma tradição sem fundamento bíblico, se lembrarmos que a tradicional ordem litúrgica e outros aspectos minuciosos não foram citados no Novo Testamento.

    O meu compromisso com essa mensagem diante do Corpo de Cristo é lembrar que devemos guardar as recomendações mais básicas e inegavelmente claras do nosso Senhor Jesus Cristo quanto à humildade, à liderança, e ao amor. Discordo que “o que não é permitido é proibido” pois isso não está na bíblia. Se estiver, por favor me mostre a referência, e eu vou imediatamente obedecer a recomendação bíblica. Mas enquanto isso, ficar determinando o que é ‘proibido’ ou ‘permitido’ baseado no que a bíblia NÃO DIZ apenas contribui para fatiar o Corpo de Cristo e gerar contenda entre os amados irmãos. Isso por si só é um câncer espiritual dentro da Igreja.

    O mais importante é a nossa unidade e nosso amor, e não a maneira excêntrica como alguns expressam a presença do Senhor Jesus Cristo.

    A pergunta correta é “Será que eu sou santo?”, enquanto a pergunta errada é “Será que o meu irmão é pagão?”.

    Peço que considerem as minhas mensagens com cuidado, não tenho intenção de trazer confusão, quero apenas defender a unidade do Corpo de Cristo no amor que devemos ter um com o outro, aceitando as diferenças do próximo, pois é justamente na diversidade que o Corpo de Cristo se estrutura, conforme as cartas paulinas.

    Desejando a paz de Cristo, deixo meu abraço.
    André Medeiros

     
    • Anônimo

      10 novembro, 2011 at 3:17 pm

      Primeiramente, seria bom vc conhecer a Igreja que é membro. É inadimissível um membro da IPB não conhecer a sua Igreja, sua forma de governo e estrutura, não pode um membro da IPB se referir ao SC, com “esse tal supremo concílio”.

      Segundo, O Problema das chamadas danças liturgicas é o fato de isso acontecer NO CULTO. E vale lembrar como foi dito pelo proporio irmão André Medeiros, que realmente somos templo do Espirito Santo, Porém as danças são proibidas no Culto e não no templo simplesmente. E quero explicar que Culto é Culto tanto dentro do templo quanto fora dele, (casa, clubes, rua e etc.)

      Por fim sugiro ao amdo irmão que continue se aprofundando no conhecimento Bíblico e também avance no conhecimento da Igreja que é membro, procure ler os Símbolos de Fé da IPB, tenha em mãos a CI/IPB bem como o MUSI. Pesquise sobre o surgimento da IPB em nosso país e seus principais expoentes.

      em Cristo Rev. Robson Grey

       
  5. Rev. Ludgero

    4 maio, 2008 at 6:49 pm

    André e Livia

    Queridos irmãos em Cristo

    Postei as suas participações acima e terei o maior prazer em lhes responder. Estamos prestes a dar início ao culto comunitário que renderemos a Deus aqui em nossa templo.

    Voltarei a responder-lhes, rogando ao Senhor que me dê sabedoria para ser a Ele fiel e a vocês compreensível.

    Por favor, peço-lhes que me aguardem.

    Seu irmão e conservo em Cristo

    Ludgero

     
  6. Wallace Nogueira

    7 novembro, 2009 at 4:07 pm

    Rev.Ludigero Seria oportuno o Jurídico da IPB. acionar igrejas que usam o nome de Presbiteriano mmas, que não se subordinam ao Supremo Consilio ;/
    Viajando pelo Brasil, só no Est.do Rio de Janeiro já vi/: Igreja Presbiteriana Pentencostal – Igreja Presbiteriana Pastor / Pastora (naturalmente casal)
    Se a própria Democracia usa o estilo de Governo Presbireriano:: um ponto de pregação = subdistrito
    uma Igreja = distrito Presbiterio = municipio.
    Sinodo = Estado Supremo Consilio = Suprema magistrado (presidente da república). Se,quem usa o nome de presbiteriano não segue a Constituição e não tem Tesouraria Nacional, já justificaria a ação proinbindo o uso do nome Presbiteriano.
    Sendo o que se me ocorre no momento, firmo-mo
    atenciosamente. como Presbiteriano desde os meus ancestrais chegados em 1824 no navio Argus.

     
  7. Anônimo

    19 agosto, 2011 at 4:38 pm

    GOSTARIA DE SOLICITAR Á 1ª iGREJA pRESBITERIANA DE bELO hORIZONTE A RELAÇÃO DOS NOMES DOS CRENTES QUE FORAM BATIZADOS OU RECEBIDOS POR PROFISSÃO DE FÉ OU TRANSFERÊNCIA NO TEMPO DO PASTOREIO DO PASTORsINVAL mORAES.fOI ELE QUEM ME BATIZOU,JUNTAMENTE COM MEU PAI GERALDO DE SOUZA RANTES,MEUS IRMÃO MITON DE SOUZA RANTES E ADILSON DE SOUZA ARANTES.TODOS NO MESMO DIA,E RECEBEU MINHA MÃE TEREZA PEREIRA A SILVA POR CARTA DE GOVERNADOR VALADARES(1ºIGREJA) aTENCIOSAMENTE,VILMA DE SOUZA ARANTES,MEMBRO DA 1ª IGREJA DE MANAUS AM EMAIL:arantesvilma@bol.com.br

     
  8. Anônimo

    10 novembro, 2011 at 2:55 pm

    Caro Rev. Ludgero, é possivel um membro da Igreja ser “membro ativo” em duas sociedades internas ao mesmo tempo e ser eleito em ambas? Por Examplo, uma Jovem de 28 anos e socia ativa na UMP e também na SAF, com cargos na Diretoria nas duas sociedades.

     
  9. Carlos Augusto Sousa Moreira Junior

    18 janeiro, 2013 at 10:17 am

    Irmão Ludgero,

    Inicialmente concordei com a posição da nossa igreja acerca da dança litúrgica, todavia, depois de ler os questionamentos da Lívia e do André, fiquei na dúvida sobre o tema. A bem da verdade, eu já havia refletido sobre esses textos e com eles já havia sentido que algo estava faltando na argumentação do SC. Sou submisso às escrituras e as decisões da liderança da nossa igreja, mas desejo que a conhecer a sua versão sobre estes argumentos para que eu possa julgar se sou particulamente a favor das danças liturgicas ou não.

    Por fim, quero esclarecer que mesmo convencido de que é permitido tais manifestações no ambiente do culto, jamais estimularei a quem quer que seja dentro da minha igreja a fazê-lo, eis que na palavra percebo que existem dois princípios basilares que muitos estão esquecendo: 1º submissão às autoridades eclesiáticas e 2º o cuidado acerca do escandalo.
    Espero a sua resposta.

     

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